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quarta-feira, 2 de março de 2016

Consolador Prometido



Algumas considerações sobre o Consolador prometido por Jesus:

1)      O que é o Consolador prometido?
- Para compreender o que é o Consolador é necessário saber onde ele está referenciado no Novo Testamento. No livro O Evangelho Segundo o Espiritismo (ESE), no capítulo 6 vamos encontrar respostas para esse questionamento.  No item 3 deste capítulo, encontramos a passagem do Evangelho de João que faz referencia ao  consolador: “Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: – O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. – Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito. (S. JOÃO, 14:15 a 17 e 26.)
- Ainda no mesmo item do ESE encontramos o seguinte ensinamento sobre as características do Consolador: “Jesus promete outro consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não estar maduro para o compreender, consolador que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo há dito.”

 
2)      Quais as características do Consolador Prometido?

- Ainda no mesmo item do ESE vamos compreender que a característica do Consolador era de que tinha de vir mais tarde ensinar todas as coisas, pois Cristo não dissera tudo; e relembrar o que o Cristo disse, pois o que Este disse foi esquecido ou mal compreendido. E por fim vem trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra. “O Consolador prometido é aquele que propicia o conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança”.

3)      Porque o espiritismo é considerado o consolador prometido por  Jesus?

- No item 4, a explicação do porquê o  Espiritismo é considerado o Consolador prometido por Jesus: “O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas fazendo compreender o que Jesus só disse por parábolas. Advertiu o Cristo: “Ouçam os que têm ouvidos para ouvir.” O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras, nem alegorias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores... O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Mostra o objetivo dos sofrimentos, apontando-os como crises salutares que produzem a cura e como meio de depuração que garante a felicidade nas existências futuras. O homem compreende que mereceu sofrer e acha justo o sofrimento. Sabe que este lhe auxilia o adiantamento e o aceita sem murmurar, como o obreiro aceita o trabalho que lhe assegurará o salário. O Espiritismo lhe dá fé inabalável no futuro e a dúvida pungente não mais se lhe apossa da alma. Dando-lhe a ver do alto as coisas, a importância das vicissitudes terrenas some-se no vasto e esplêndido horizonte que ele o faz descortinar, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem de ir até ao termo do caminho. Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.”
- Nas instruções dos Espíritos, o Espírito da Verdade nos esclarece: “O Espiritismo, como o fez antigamente a minha palavra, tem de lembrar aos incrédulos que acima deles reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinem as plantas e se levantem as ondas. Revelei a doutrina divinal. Como um ceifeiro, reuni em feixes o bem esparso no seio da Humanidade e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis”.


(Texto em itálico retirado do Evangelho Segundo Espiritismo - Capítulo 6 - item 3 e 4)



segunda-feira, 29 de julho de 2013

Reencarnação - 3

>>>>> Ler texto sobre reencarnação - Na Antiguidade

>>>>>>>>>Ler texto sobre reencarnação - Na Bíblia

>>>>>>> Ler texto reencarnação - No Livro dos Espíritos

EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
Capitulo IV
Ninguém poderá ver o Reino de Deus se não nascer de novo


RESSURREIÇÃO E REENCARNAÇÃO

4. A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só os saduceus, cuja crença era a de que tudo acaba com a morte, não acreditavam nisso. As ideias dos judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não eram claramente definidas, porque apenas tinham vagas e incompletas noções acerca da alma e da sua ligação com o corpo. Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama reencarnação. Com efeito, a ressurreição dá ideia de voltar à vida o  corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos. A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. A palavra ressurreição podia assim aplicar-se a Lázaro, mas não a Elias, nem aos outros profetas. Se, portanto, segundo a crença deles, João Batista era Elias, o corpo de João não podia ser o de Elias, pois que João fora visto criança e seus pais eram conhecidos. João, pois, podia ser Elias reencarnado, porém, não ressuscitado.

6. A ideia de que João Batista era Elias e de que os profetas podiam reviver na Terra se nos depara em muitas passagens dos Evangelhos, notadamente nas acima reproduzidas (nos 1, 2, 3). Se fosse errônea essa crença, Jesus não houvera deixado de a combater, como combateu tantas outras. Longe disso, ele a sanciona com toda a sua autoridade e a põe por princípio e como condição necessária, quando diz: "Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo.” E insiste, acrescentando: Não te admires de que eu te haja dito ser preciso nasças de novo.

7. Estas palavras: Se um homem não renasce da água e do Espírito foram interpretadas no sentido da regeneração pela água do batismo. O texto primitivo, porém, rezava simplesmente: não renasce da água e do Espírito, ao passo que nalgumas traduções as palavras – do Espírito – foram substituídas pelas seguintes: do Santo Espírito, o que já não corresponde ao mesmo pensamento. Esse ponto capital ressalta dos primeiros comentários a que os Evangelhos deram lugar, como se comprovará um dia, sem equívoco possível.[1]

8. Para se apanhar o verdadeiro sentido dessas palavras, cumpre também se atente na significação do termo água que ali não fora empregado na acepção que lhe é própria. Muito imperfeitos eram os conhecimentos dos antigos sobre as ciências físicas. Eles acreditavam que a Terra saíra das águas e, por isso, consideravam a água como elemento gerador absoluto. Assim é que na Gênese se lê: “O Espírito de Deus era levado sobre as águas; flutuava sobre as águas; – Que o firmamento seja feito no meio das águas; – Que as águas que estão debaixo do céu se reúnam em um só lugar e que apareça o elemento árido; – Que as águas produzam animais vivos que nadem na água e pássaros que voem sobre a terra e sob o firmamento.” Segundo essa crença, a água se tornara o símbolo da natureza material, como o Espírito era o da natureza inteligente.

Estas palavras: “Se o homem não renasce da água e do Espírito, ou em água e em Espírito”, significam pois: “Se o homem não renasce com seu corpo e sua alma.” É nesse sentido que a princípio as compreenderam. Tal interpretação se justifica, aliás, por estas outras palavras: O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. Jesus estabelece aí uma distinção positiva entre o Espírito e o corpo. O que é nascido da carne é carne indica claramente que só o corpo procede do corpo e que o Espírito independe deste.

9. O Espírito sopra onde quer; ouves-lhe a voz, mas não sabes nem donde ele vem, nem para onde vai: pode-se entender que se trata do Espírito de Deus, que dá vida a quem ele quer, ou da alma do homem. Nesta última acepção – “não sabes donde ele vem, nem para onde vai” – significa que ninguém sabe o que foi, nem o que será o Espírito. Se o Espírito, ou alma, fosse criado ao mesmo tempo que o corpo, saber-se-ia donde ele veio, pois que se lhe conheceria o começo.  Como quer que seja, essa passagem consagra o princípio da preexistência da alma e, por conseguinte, o da pluralidade das existências.

11. Se o princípio da reencarnação, conforme se acha expresso em S. João, podia, a rigor, ser interpretado em sentido puramente místico, o mesmo já não acontece com esta passagem de S. Mateus, que não permite equívoco: ELE MESMO é o Elias que há de vir. Não há aí figura, nem alegoria: é uma afirmação positiva. – “Desde o tempo de João Batista até o presente o reino dos céus é tomado pela violência.” Que significam essas palavras, uma vez que João Batista ainda vivia naquele momento? Jesus as explica, dizendo:  “Se quiserdes compreender o que digo, ele mesmo é o Elias que há de vir.” Ora, sendo João o próprio Elias, Jesus alude à época em que João vivia com o nome de Elias. “Até ao presente o reino dos céus é tomado pela violência”: outra alusão à violência da lei mosaica, que ordenava o extermínio dos infiéis, para que os demais ganhassem a Terra Prometida, Paraíso dos hebreus, ao passo que, segundo a nova lei, o céu se ganha pela caridade e pela brandura. E acrescentou: Ouça aquele que tiver ouvidos de ouvir. Essas palavras, que Jesus tanto repetiu, claramente dizem que nem todos estavam em condições de compreender certas verdades.

13. É também muito explícita esta passagem de Isaías: “Aqueles do vosso povo a quem a morte foi dada viverão de novo.” Se o profeta houvera querido falar da vida espiritual, se houvera pretendido dizer que aqueles que tinham sido executados não estavam mortos em Espírito, teria dito: ainda vivem, e não: viverão de novo. No sentido espiritual, essas palavras seriam um contra-senso, pois que implicariam uma interrupção na vida da alma. No sentido de regeneração moral, seriam a negação das penas eternas, pois que estabelecem, em princípio, que todos os que estão mortos reviverão.

15. Nessas três versões, o princípio da pluralidade das existências  se acha claramente expresso. Ninguém poderá supor que Job haja querido falar da regeneração pela água do batismo, que ele decerto não conhecia. “Tendo o homem morrido uma vez, poderia reviver de novo?” A ideia de morrer uma vez, e de reviver implica a de morrer e reviver muitas vezes. A versão da Igreja grega ainda é mais explícita, se é que isso é possível: “Acabando os dias da minha existência terrena, esperarei, porquanto a ela voltarei”, ou, voltarei à existência terrestre. Isso é tão claro, como se alguém dissesse: “Saio de minha casa, mas a ela tornarei.”  “Nesta guerra em que me encontro todos os dias de minha vida, espero que se dê a minha mutação.” Job, evidentemente, pretendeu referir-se à luta que sustentava contra as misérias da vida. Espera a sua mutação, isto é, resigna-se. Na versão grega, esperarei parece aplicar-se, preferentemente, a uma nova existência: “Quando a minha existência estiver acabada, esperarei, porquanto a ela voltarei.” Job como que se coloca, após a morte, no intervalo que separa uma existência de outra e diz que lá aguardará o momento de voltar.

16. Não há, pois, duvidar de que, sob o nome de ressurreição, o princípio da reencarnação era ponto de uma das crenças fundamentais dos judeus, ponto que Jesus e os profetas confirmaram de modo formal; donde se segue que negar a reencarnação é negar as palavras do Cristo. Um dia, porém, suas palavras, quando forem meditadas sem ideias preconcebidas, reconhecer-se-ão autorizadas quanto a esse ponto, bem como em relação a muitos outros.

17. A essa autoridade, do ponto de vista religioso, se adita, do ponto de vista filosófico, a das provas que resultam da observação dos fatos. Quando se trata de remontar dos efeitos às causas, a reencarnação surge como de necessidade absoluta, como condição inerente à Humanidade; numa palavra: como lei da Natureza. Pelos seus resultados, ela se evidencia, de modo, por assim dizer, material, da mesma forma que o motor oculto se revela pelo movimento. Só ela pode dizer ao homem donde ele vem, para onde vai, por que está na Terra, e justificar todas as anomalias e todas as aparentes injustiças que a vida apresenta.[2] Sem o princípio da preexistência da alma e da pluralidade  das existências, são ininteligíveis, em sua maioria, as máximas do Evangelho, razão por que hão dado lugar a tão contraditórias interpretações. Está nesse princípio a chave que lhes restituirá o sentido verdadeiro.


[1] A tradução de Osterwald está conforme o texto primitivo. Diz: “Não renasce da água e do Espírito”; a de Sacy diz: do Santo Espírito; a de Lamennais: do Espírito Santo. À nota de Allan Kardec, podemos hoje acrescentar que as modernas traduções já restituíram o texto primitivo, pois que só imprimem “Espírito” e não Espírito Santo. Examinamos a tradução brasileira, a inglesa, a em Esperanto, a de Ferreira de Almeida, e em todas elas está somente “Espírito”. Além dessas modernas, encontramos a confirmação numa latina de Theodoro de Beza, de 1642, que diz: “...genitus ex aqua et Spiritu...” “...et quod genitum est ex Spiritu, spiritus est.” É fora de dúvida que a palavra “Santo” foi interpolada, como diz Kardec. – A Editora da FEB, 1947.
[2] Veja-se, para os desenvolvimentos do dogma da reencarnação, O Livro dos Espíritos, caps. IV e V; O que é o Espiritismo, cap. II, por Allan Kardec; Pluralidade das Existências, por Pezzani.

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domingo, 12 de maio de 2013

Reencarnação - 1

Palavra Reencarnação é de origem grega - palinginésia - palin «de novo» +génesis, «geração» + -ia >> Doutrina de várias gerações

No Tora hebraica está no vocábulo guilgul >> nascer outra vez >> fazia parte dos ensinamento secretos da doutrina primitiva

A primeira referência à ideia de reencarnação tem no mínimo 2.600 a nos. Aparece nas Upanichades, as escrituras sagradas do hinduísmo.

"Lendo um livro que trata de algumas obras sânscritas, encontrei, numa passagem de um poema chamado Mahabárata, uma exposição da crença desses tempos recuados, e grande foi meu espanto de ali encontrar a reencarnação, doutrina que, para os tempos, parecia ter sido bastante compreendida. Eis o fato que deu lugar ao deus Krischna de explicar ao chefe dos Pandus a teoria dos brâmanes: "A alma colocada num corpo atravessa a juventude, a idade madura, a decrepitude, e passando num novo corpo, nele recomeça seu curso...Vai, pois! e não temas nada; lança sem escrúpulo uma roupagem usada; veja sem terror teus inimigos e teus irmãos deixarem seus corpos perecíveis, e sua alma revestir uma forma nova.." Revista Espírita, agosto de 1862

"O livro dos Vedas (Bagavat Gitá) afirma textualmente: "Assim como se dei­xam as vestes gastas para usar vestes novas, também a alma deixa o corpo usado para revestir novos corpos". (Gabriel Dellane - A Reencarnação - página 18)

"Os egípcios traziam consigo uma ciência que a evolução da época não comportava. Aqueles grandes mestres da antiguidade foram, então, compelidos a recolher o acervo de suas tradições e de suas lembranças no ambiente reservado dos templos, mediante os mais terríveis compromissos dos iniciados nos seus mistérios. Os conhecimentos profundos ficaram circunscritos ao circulo dos mais graduados sacerdotes da época, observando-se o máximo cuidado no problema da iniciação.

A própria Grécia, que aí buscou a alma de suas concepções cheias de poesia e de beleza, através da iniciativa dos seus filhos mais eminentes, no passado longínquo, não recebeu toda a verdade das ciências misteriosas. Tanto é assim, que as iniciações no Egito se revestiam de experiências terríveis para o candidato à ciência da vida e da morte - fatos esses que, entre os gregos, eram motivo de festas inesquecíveis.

Os sábios egípcios conheciam perfeitamente a inoportunidade das grandes revelações espirituais naquela fase do progresso terrestre; chegando de um mundo de cujas lutas, na oficina do aperfeiçoamento, haviam guardado as mais vivas recordações, os sacerdotes mais eminentes conheciam o roteiro que a Humanidade terrestre teria de realizar. Aí residem os mistérios iniciáticos e a essencial importância que lhes era atribuída no ambiente dos sábios daquele tempo." Emmanuel - A Caminho da Luz

"Foi Pitágoras quem introduziu na Grécia a doutrina das vidas sucessivas, que ele aprendera no Egito e na Pérsia" (Gabriel Dellane - A Reencarnação - página 18)

"Platão adotou a idéia pitagórica da Palingenesia. Segundo Platão, "aprender é recordar". (Gabriel Dellane - A Reencarnação - página 20)

"A Escola Neoplatônica de Alexandria ensinava a reencarnação e Plotino e Porfírio falam sobre ela de forma absolutamente clara. (Gabriel Dellane - A Reencarnação - páginas 20 e 21)

"Jâmblico afirma não haver acaso nem fatalidade, mas uma justiça inflexível que regula a existência de todos os seres. Se alguns se veem em meio a aflições, não é em virtude de uma decisão arbitrária da Divindade, mas consequência inelutável das faltas anteriores." (Gabriel Dellane - A Reencarnação - página 21)

Na Grécia antiga, a crença na reencarnação parece ter sido propagada pelos mistérios de Orfeu que, segundo Heródoto, tiveram sua origem no Egito. Alguns estudiosos afirmam que o mito de Perséfone[1] faz referências simbólicas à reencarnação. Ainda na Grécia, os pitagóricos[2] foram os filósofos que procuraram difundir a doutrina do renascimento. A faculdade de se lembrar de vidas passadas era encarada como uma benção concedida por Hermes para os buscadores da luz. Ao que tudo indica, Platão, Pitágoras, Heráclito e Empédocles acreditavam na reencarnação. Platão fala claramente da reencarnação e da possibilidade da recordação dessas memórias quando diz “A alma do homem é imortal e num momento chega ao fim – o que se chama de morte – para nascer outra vez em outro, sem nunca perecer… Compreendemos então que a Alma é imortal -, que nasceu muitas vezes, que viu todas as coisas deste mundo e do Hades e que aprendeu todas as coisas, sem exceção; por isso, não é de se surpreender que ela possa lembrar-se de tudo o que soube antes sobre a virtude e outras coisas”.

Plutarco, que foi sacerdote do templo de Apolo em Delphos, dizia que as pessoas transmigram de vida em vida e que os espíritos superiores (genius) só retornam quando cometem erros especialmente relacionados com os vivos, quando lhes transmitem uma má influência. Já os adeptos do Neoplatonismo da escola de alexandria, como Plotino e outros, falam mais claramente da reencarnação. O Neoplatônico Proclo, por exemplo, fala abertamente da reencarnação e afirma que humanos só retornam como humanos e animais só retornam como animais.

Em Roma, Cícero, o senador Romano, passou a acreditar na reencarnação e pregava que a vida atual estava relacionada às vidas passadas.

Plotino (filósofo grego) diz claramente em suas “Eneades”: “a providência dos deuses assegura a cada um de nós a sorte que lhe convém e que é harmônica com seus antecedentes, conforme suas vidas sucessivas”.

Jâmblico sintetiza assim a doutrina das vidas sucessivas: “Deus a define relativamente às nossas existências sucessivas e à universalidade de nossas vidas. Assim, as penas que nos afligem são, muitas vezes, castigos de um pecado de que a alma se tornou culpada em vida anterior. Algumas vezes, Deus nos oculta a razão delas; não devemos, porém, deixar de atribuí-las à sua justiça”.

"553 d.C., foi convocado em Constantinopla um concílio que seria o V Concílio, na classificação geral, mas o II de Constantinopla, convocado por Justiniano, o Imperador romano (Roma Oriental). O Papa quase perdera a vida por se recusar a comparecer e os demais bispos convocados ali compareceram e votaram sob a pressão do Imperador.

A finalidade apontada seria tratar exclusivamennte de uma controvérsia teológica conhecida como "Três Capítulos", mas, na realidade, Justiniano visava destruir os "origeneístas", partido existente na Palestina, que defendia uma visão teológica contrária à do Imperador: a da preexistência das almas (Entendia ele terem todas as almas surgido no início da Criação, como espíritos angélicos, tendo elas pecado, apesar desta condição, foram obrigadas a sucessivos renascimentos em corpos materiais, a fim de se purificarem). Por esse concílio, ficaram excluídos da fé católica os ensinamentos sobre a preexistência da alma e, por implicação, sobre a reencarnação.

"No ano de 553, o Império Romano estava dividido em duas alas a que tinha como capital Roma no ocidente, e que tinha como capital Bizâncio ou Constantinopla no Oriente. Governava o império romano do oriente Justiniano que fora casado com uma mulher admirável mas que havia tido uma vida muito frívola e irregular, Teodora havia saído de um prostíbulo, segundo a história, casou-se com ele e foi a imperatriz que governou o império, ela conseguiu criar vários problemas para o Vaticano, basta que leiam sua vida. Ela morreu no ano de 548, e havia pedido ao marido que na primeira oportunidade tornasse herética a doutrina da reencarnação, porque ela não desejava voltar para resgatar os erros que ela perpetrara.  Ela tinha tanto horror da sua história, que segundo a história, mandou matar mais de 500 meretrizes do seu tempo, suas colegas de profissão para não ter qualquer herança. E o marido que era por ela apaixonado no ano de 547, impôs ao papa que se transferisse para Constantinopla o papa Virgilio sobre pena de criar um cisma. O papa para acomodar a situação veio, e o imperador exigiu que se fizesse o II Concílio Ecumênico de Constantinopla, que não foi universal. O Papa se opôs, desejou que fosse em Roma, o imperador com as armas ameaçou. E esse concilio começou em 552 e foiem 558. No ano de 553 a tese da reencarnação foi colocada em julgamento, e como ele era muito democrático, ele disse: "Aqueles que votarem contra eu passarei a fio de espada". E ganhou de 3 a 2. A da reencarnação foi considerada doutrina herética.  A partir daí ela foi recusada.... De imediato ele passou a perseguir os reencarnacionistas, e segundo a história matou mais de um milhão naquela época. " Divaldo Franco em entrevista - Reencarnação e a Biblia"





[1] Nos cultos órficos, Dionisio era também amante de Persefone, o deus passava intervalos de tempo na casa da rainha dos mortos, e junto com ela era cultuado nos mistérios orficos como símbolo do renascimento. Conta-se, ainda, que Zeus, o pai da Perséfone, teve amor com a própria filha, sob a forma de uma serpente. Preciosas informações retiradas de antigos textos gregos, citam que Perséfone teve um filho e uma filha com Zeus: Sabázio e Melinoe era de uma habilidade notável, e foi quem coseu Baco na coxa de seu pai. Com Heracles, (Algumas versões citam Zeus ou até mesmo Hades) teve Zagreus, que seria a primeira reencarnação de Dionisio . Perséfone, com Hades, é mãe de Macária, deusa de boa morte.


[2] Dentre os princípios filosóficos que norteavam a escola pitagórica, destacam-se: - a alma é imortal e reencarna-se; - os acontecimentos da história repetem-se em certos ciclos; - nada é inteiramente novo; - todas as coisas vivas são afins; - os princípios da Matemática são os princípios de todas as coisas: o universo se sustenta no equilíbrio dos números.

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