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sábado, 24 de setembro de 2011

O ANJO DA MISERICÓRDIA


Na tarde trágica e tormentosa do Calvário, quando Jesus se encontrava estiolado pelas ulcerações dos cravos e dos espinhos implantados na Sua carnes, ocorreu um inesperado acontecimento,  que as testemunhas do lutuoso fato não puderam perceber,  por  transcorrer  além  das  fronteiras  objetivas  da matéria.
 As vozes ululantes da Natureza dominavam a paisagem lúgubre, e os homens, atormentados, pareciam vencidos pelas cruéis expressões do primitivismo animal, em total alucinação diante  do Justo crucificado...
Nos momentos finais do horrendo espetáculo 3 vultos luminosos, reverentes, se acercaram do madeiro da agonia e um deles, jovem mulher iluminada, qual se fosse uma tocha de crepitante  ama, após contemplar a face do Mestre, falou, comovida:
- Senhor, venho oferecer-Te o testemunho do meu fracasso na tarefa em que fui investida.
"Segui-Te os passos por toda a parte e procurei guarida nos corações que foram atraídos pela Tua palavra consoladora.
"Levantei ânimos, impulsionei sentimentos desavisados à razão e convoquei servidores ao trabalho da fraternidade...
"Não obstante, estive contigo no momento da defecção de Simão Pedro, quando Te negou conhecer, o que fez por três vezes consecutivas, expulsando-me dos seus sentimentos, nos quais estive agasalhada por largos meses.
"Desiludida dos homens, venho rogar-Te licença para seguir, ao Teu lado, na direção  dos Cimos Esplendorosos da Vida.
"Tu sabes, eu sou a FÉ!..."
O Mestre, em agonia, fitou-a, compungido, e sem dizer qualquer palavra, através da cortina de lágrimas sanguinolentas que lhe nublavam a claridade visual, olhou a segunda personagem, que também mais se acercou do instrumento da arbitrária punição e elucidou:
- Vivi todas as Tuas instruções e procurei remodelar os campos moral e emocional dos homens que Te seguiram.
"Vi muitos deles, que estavam a borda do desespero e da loucura, mas, graças à Tua palavra de libertação, fi-los esperar por melhores dias confiando nos retos deveres em favor de perspectivas futuras abençoadas.
"Aqueles outros que se lamentavam sob o luto da saudade e o peso das agonias, consegui soerguer o ânimo e encorajá-los para a luta sem quartel do progresso.
"Em todo o lugar, encontrei oportunidade de serviço e de ação edificante, que soube aproveitar...
"Apesar disso, estava seguindo Judas e tentando convocá-lo à lucidez, arrependido como se apresentava, após a infame traição... Percebendo-lhe os pensamentos infelizes e o desespero envolvi-o em ternura chamando-o à ordem dizendo-lhe que sempre há oportunidade para quem deseja regenerar-se...
"Ele, todavia preferiu o enforcamento covarde numa figueira brava... Ainda retenho na memória a visão do seu corpo oscilante na corda vigorosa em que ceifou a vida carnal...
"Porque fracassei entre as criaturas venho rogar-Te permissão para acompanhar-Te ao solio do Altíssimo, abandonando a Terra...
"Conforme Te recordas, eu sou a ESPERANÇA!..."
Jesus estorcegou nas traves grosseiras, enquanto a mole humana, infrene e enlouquecida, agitava-se no acume do ensombrado morro da Caveira.
E porque Ele tentasse ouvir, já nas últimas contorções do corpo exangue, a terceira visitante uniu-se às duas primeiras e, ainda luminosa, expôs:
- Por onde o Teu olhar passeou ternura e amor, eu procurei alojamento e serviço.
"Através das Tuas mãos, abri bocas sem melodia à música da palavra; descerrei ouvidos moucos aos sons da Natureza; conduzi pernas e corpos mortos ao movimento; tomei as doenças dominadoras e consegui mudá-las das pessoas que as padeciam...
"Jamais vacilei em ajudar, gerando simpatia, sustentando a FÉ e motivando a ESPERANÇA.
"As multidões esfaimadas, por meu intermédio e sob as Tuas ordens, receberam pães e peixes, o mesmo ocorrendo com a água em Caná, quando eu lhe facultei especial sabor na festa das bodas felizes...
"Mesmo assim em face do abandono a que todos Te relegaram, e porque acabo de presenciar o legionário Longinus, no cúmulo da frieza moral de que é portador e sem qualquer compaixão lancetar-Te o peito, para apressar-Te a morte, não suporto mais tanta ingratidão.
"Recorro, deste modo, à Tua aquiescência para sair do mundo e voar na direção das estrelas, para onde seguirás...
"Bem recordas, eu sou a CARIDADE!..."

Em face do silêncio pesado, que se fez natural, naquela esfera transcendental, o Mestre, para surpresa geral, na noite que havia tombado sobre a tarde cruel, suplicou:
- Perdoa-os (aos homens), meu Pai, porque eles não sabem o que fazem!
Houve uma estranha movimentação no povo e nos milicianos, que não sabiam o que se passava.
Naquele instante, porém, rasgou-se nas sombras espessas uma estrada luminosa e  um ser, de esplêndida beleza, aproximou-se do Crucificado, e, respeitoso, falou, emocionado:
- Eu sou o Anjo da MISERICÓRDIA, enviado pelo Pai, que Te atende o apelo.
"Dize, Senhor, o que desejas de mim, pois que eu o farei."
Com a voz inaudível para os ouvidos humanos, no entanto, inteligível para o emissário de Deus, Jesus determinou, comovido:
- Fica no mundo, levando contigo a FÉ, a ESPERANÇA e a CARIDADE, em meu nome, para que os homens, que me conheçam ou não, possam ter minoradas as suas dores e penas, evitando, quanto possível, as desventuras, sob o pálio do meu Amor.
"Que permaneçam sem cansaço, nem desânimo até à consumação dos séculos, como  luzes acesas apontando rumos felizes! "
Automaticamente, as três Entidades-Virtudes abraçaram o  Anjo  da  MISERICÓRDIA e partiram, para recolher, de início, o espírito Judas, em perturbação, prosseguindo na direção de Pedro, a fim de que este não enlouquecesse de remorso, de imediato colocando nos olhos apagados de Longinus a claridade da visão...
Foi então, que Jesus inteiriçou-se na cruz e bradou:
- Pai, nas Tuas Mãos entrego o meu espírito. Tudo está consumado!
A partir daquela hora, quando as dores atingem o máximo de intensidade nos corações humanos; quando a hidra da guerra ceifa milhões de vidas indefesas; quando a  amargura domina, esmagando os sentimentos; quando a vida parece sucumbir e todos os  acontecimentos  se  apresentam  com  funestas perspectivas, o Anjo da MISERICÓRDIA  envolve as criaturas, deixando aqui e ali, neste e naquele coração a chama da FÉ que reanima ou a pulsação da ESPERANÇA que renova e encoraja ou as mãos sublimes da CARIDADE, que sustenta e liberta, em nome do AMOR infinito do CRISTO, que não cessa jamais.

 Pelo Espírito de Amélia Rodrigues – Pelos Caminhos de Jesus

domingo, 16 de janeiro de 2011

A ERA DO AMOR

O dia fora especialmente cálido.
Mesmo ao declinar da tarde, permaneciam no ar as correntes tórridas que sopravam desagradáveis. A mensagem de libertação espraiava-se por toda parte, já impossível de ser de ida.
O Mestre conseguira tornar-se a esperança das multidões saturadas pelos sofrimentos e sem mais amplas aspirações em relação ao futuro.
Todos O viam como sendo a resposta de Deus às inumeráveis necessidades da criatura humana.
Ao tempo, no entanto, que o Seu verbo derramava as bênçãos de paz e alento entre os sofredores, os que se permitiam a dominação arbitrária das consciências e do comportamento do povo, se levantavam contra Ele, tentando embaraçá-lO, denegrir-Lhe o conteúdo da palavra, lançá-lO contra a rigidez da Lei Mosaica...
Na oportunidade, leniam os corações, os ensinamentos a respeito do amor, do perdão das ofensas e da compreensão das faltas do próximo, provocando acirrados debates entre os Seus adversários gratuitos, que O acusavam de contrariar o Estatuto legal vigente, herança enfermiça dos princípios de talião.
Foi tomado pelo rancor, face à serenidade do senhor, que Nathan Ben Assad, fariseu conhecido pela conduta excessivamente austera, procurou o Amigo dos infortunados e Lhe indagou, arrogante, em plena praça, na risonha e bela Cafarnaum:
- Tu ensinas - perguntou-lhe com desdém - o amor irrestrito e o perdão incessante, em quaisquer circunstâncias e a todas as pessoas?
A interrogação direta recebeu uma resposta imediata e clara.
- Sim.Do contrário não é legítimo o amor que se limita a circunstâncias e se circunscreve a indivíduos especiais. O verdadeiro amor é atitude interior que se expande como acontece com o ar, que a tudo e a todos vitaliza.
- Mesmo àqueles que fomentam o ódio, que se tornam execrandos pelos crimes que perpetam?
- Sem dúvida. A todos estes, porquanto mais do que os outros, eles se encontram enfermos e necessitados, carecendo da terapia do amor, a fim de se recuperarem do mal que os afligem, tornando-se, então, cidadãos úteis ao conjunto social.
- E o criminoso insensível - retrucou com a face congestionada pela cólera surda que o dominava
- Não deve ser justiçado pelas cortes encarregadas de preservar a paz e a ordem, defendendo os fracos?
- Justiçar - redarguiu Jesus, sereno - não significa punir, revidar com o mal, o mal que foi feito, tripudiar sobre as suas misérias e ulcerações morais .... Justiçar, deve ser, antes de tudo, propiciar a oportunidade da reparação, de educação do revel para a vida digna.
"Na raiz de muitos males encontramos a ignorância como geratriz de todos esses infortúnios.
" O criminoso é um enfermo, vitimado em si mesmo por desequilíbrios que ignora. Adicionados a essa causa, há os fatores sociais, econômicos, emocionais, que fomentam a alucinação a desbordar no crime, na delinquência..."
- Não será justo, então, segundo o teu código, matar legalmente aquele que mata, cobrar "olho por olho e dente por dente", daquele que desgraçou outrem, roubou-lhe a vida, di lapidou o patrimônio alheio.
A lei de amor procede do Pai, Causa lncausada do Universo, que estabelece o equilíbrio nas leis naturais como regra da felicidade e de ordem no Cosmo ... Punir, é reagir com ódio; cobrar erro com vingança é ser pior do que o delinqüente, pois que este é infeliz, enquanto o Juiz, em nome da sociedade e graças ao conhecimento que possui deve ser sadio emocionalmente e equilibrado nas suas decisões, a fim de ser melhor do que o criminoso.
"Somente o ódio é vingador; e como a vingança expressa o estágio de primitivismo da criatura, esta não pode ser trazida ao código das leis em nome da Justiça".
- Será, então, lícito, deixar o criminoso à solta, a fim de que ele prossiga na sua carreira destrutiva?
- Não chegaremos a tanto. A técnica do amor receita para o delinqüente a terapia do afastamento temporário da sociedade, qual ocorre com um doente portador de contágio, a fim de ser devidamente tratado. para posterior reintegração na comunidade dos sadios.
E olhando fixamente o inquiridor, com doçura mesclada de sabedoria, o Mestre tentou encerrar a entrevista, dizendo:
- Matar o assassino não restitui a vida à vítima; amputar os dedos ou as mãos ao ladrão, não devolve o furto ao seu dono; arrancar a língua do caluniador, de forma alguma repara os males que a acusação falsa causou ao outro...
"O amor reabilita moralmente o caído, oferecendo-lhe osl recursos para a própria recuperação, após a qual reparará os males praticados e seguirá além, abençoando as vidas pelo caminho, com os tesouros da sua boa vontade, graças à consciência dos novos deveres.
"Quando o amor penetrar o íntimo dos homens, o ódio, que é a doença do egoísmo, cederá lugar à fraternidade e à compreensão..."
- E o perdão deverá ser sempre e constante, seja qual for o erro perpetrado?
Jesus relanceou o olhar amigo pela multidão ansiosa, que acompanhava o diálogo, e arrematou:
- o dever é perdoar setenta vezes sete vezes cada erro da criatura, a fim de que aquele que perdoa sinta-se realmente em condições de ser irmão do seu próximo e saber que o seu é amor por excelência, que procede do Pai e nada lhe pode entorpecer a grandiosidade.
Nathan Sen Assad meneou a cabeça, arrogante, e, lançando sobre o ombro parte do talit de orações, que lhe caía da cabeça ao longo das costas, bateu as sandálias no solo, levantando pó, e retirou- se, vociferando, sem querer entender a preciosa lição de amor. I
Como se nada tivesse acontecido, mantendo o mesmo tom de b01dade na voz e gentileza nos atos, Jesus prosseguiu, explicando:
- O amor, em qualquer expressão, é a presença do Pai Criador sustátandO a vida e dignificando as Suas criaturas. Um dia triunfará sobre todas as conjunturas e regerá todas vidas.
Iniciava-se ali a era do amor sem limite, único antídoto contra o ódio, que remanesce das paisagens morais primitivas do homem e que cederá lugar, oportunamente, à fraternidade e à paz nos dias do futuro.
Pelo Espírito de Amélia Rodrigues – Pelos Caminhos de Jesus

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O ESTRANHO ENCONTRO

Aminadab, velho e opulento mercador, resolveu aposentar-se após a laboriosa existência.
Cercando-se de comodidades, apresentou à alma um programa de fascinante felicidade para os últimos dias da vida.
Quando já desfrutava dos favores que a fortuna pode adquirir, ouviu peregrinos falarem de Jesus, que afirmavam se encontrarem fechadas as portas dos céus aos opulentos e gozadores...
Impressionado pela assertiva ousada do Homem Desconhecido, e tocado no sentimento por outras anotações que coligira a respeito dos Seus discursos, o velho ambicioso resolveu partir em caravana faustosa, ao encontro do estranho Messias.
Aproveitando a quadra risonha da primavera, empreendeu a viagem, acomodando-se em liteira ornada de sedas e ouro, à moda romana, ordenando aos servos que o conduzissem às margens frescas do mar da Galiléia, onde Ele costumava pregar.
Acompanhado por um cortejo de alegres amigos, passava as noite sob a luz coruscante das estrelas em barracas de cores álacres. Embora o júbilo da jornada, Aminadab sentia, no coração, indefinível, desconhecido anseio de seguir o estranho Nazareno que lhe fascinava a alma cética e cansada, ao encontrá-lO, se fossem verdadeiros os fios que Lhe exornavam o nome.
A viagem fazia-se longa e cansativa para quem vinha de além das bandas áridas da Peréia, vencendo caminhos abrasados, onde a miséria exameava.
Poucos dias de marcha a pé, em clara manhã, a jovial caravana parou junto a antigo poço que atendia a sede de aldeia vizinha e misérrima. Ventos impiedosos, à vespera, obstruíram a generosa fonte deixando aflitos e infelizes os beneficiários da sua linfa clara. Aminadab contemplou os semblantes marcados de dor em mulheres miseráveis e homens alquebrados ante a nascente perdida e, embora sentisse num ímpeto desconhecido, veemente vontade de refazer o poço, lembrou-se da viagem encetada, continuando, indiferente, a jornada.
Adiante, quando já escutava o murmúrio do mar abraçando as praias pedrogosas, crianças esfaimadas, qual bando de pardais, inspirando compaixão, cercaram a caravana, a suplicarem socorro...
a viajante experimentou novo impulso de generosidade ante os míseros meninos, desejando ofertar algumas migalhas das muitas reservas que carregava, no entanto, desculpou-se consigo mesmo, considerando não poder resolver o problema de todo o mundo que passava necessidades, e avançou mais apressado, ordenando aos escravos que se afastassem de tais caminhos.
Já à orla do mar, em incendiado crepúsculo, enquanto procurava o Rabi miraculoso, Aminadab vislumbrou a certa distância um grupo entretido junto a velho barco encalhado da areia.
Acercou-se, ligeiro, dos homens, e indagou por Jesus.
A resposta fulminou as esperanças do mercador aposentado: - Jesus partira para Jerusalém ao amanhecer daquele dia ...
Fitando o rosto do interlocutor, Aminadab descobriu as pústulas da morféia, no semblante desfigurado do estranho. Não teve forças para correr. Todos os que ali estavam vinham tangidos da Síria pela dor, em busca do abençoado Taumaturgo e não a encontraram. Desejaram seguir até Jerusalém, todavia, sem dinheiro nem pão, discutiam os meios de como continuar a empresa.
Aminadab apiedou-se deles. Quando se dispunha a doar-Ihes algumas moedas de ouro, lembrou-se de si mesmo e fugiu, qual alucinado pelo pavor, indo banhar-se e untar o corpo com óleos perfumados, a fim de liberar-se do contágio.
Demorou-se pela agradável região e depois seguiu com os áulicos e amigos a Jerusalém. Quando lá chegou. todavia, o Mestre houvera partido para o Reino ...
Aminadab, desencantado, então, chorou.
Abandonou, sozinho, a Cidade, e procurando as árvores vetustas, perto dos arredores, repousou o corpo fatigado. Profundo cismar empolgou-lhe a alma decepcionada.
Por que fora tão infeliz na excursão? - indagava-se intimamente.
Sem se aperceber orou a Jeová, o Grande Deus, ralado na alma por dores torturantes. Descobriu que amava aquele homem que fora sacrificado e de quem todos falavam com emoção.
Tão sincera foi-lhe a prece, que, entre as sombras da noite plena, Aminadab viu um ponto luminoso modelando um homem que se aproximava do local onde descansava. - "Que queres de mim?" - Perguntou o visitante de vestes luminosas.
Aminadab levantou-se de um salto e compreendeu estar diante do Filho do Carpinteiro. - "Contemplar-Te a face!"- respondeu, apressado.
- "Não tenho tempo de parar, a fim de atender-te, amigo." - Retrucou Jesus.
- "Mas, Senhor"• retomou o negociante que programara um roteiro de felicidade para a alma, na aposentadoria do corpo -, abandonei o conforto do lar para vir conhecer-Te, suportando os perigos da longa viagem, ansioso por estar contigo e não me podes deixar banhar o espírito no oceano da tua paz?"
- "Tenho seguido contigo, companheiro."- Acentuou o Mestre com meiga entonação de voz.
- "Como não Te vi, em parte alguma, Rabi?" - Indagou, ansioso e desolado, o hábil mercador.
Jesus sorriu, triste e elucidou:
- "Quando a tua liteira se ergueu da terra e repousou no dorso dos escravos, eu te admoestei em colóquio contigo: "Por que deixar que os outros de carreguem, se tens pés sadios? "
"Escutaste n'alma e silenciaste minha voz, com um encolher de ombros.
"Junto ao poço vencido pelos ventos, a caminho da Galiléia, estimulei o teu coração, sussurrando: "Levanta-te e ajuda-os, eles bendirão o teu nome."
"Tinhas pressa de encontrar-te comigo e não quiseste parar.
"Quando as crianças em sofrimento junto às praias do mar, te rogaram pão, concitei-te ao socorro, todavia te enervaste com a algazarra da miséria infantil.
"Por fim, quando te conduzi aos leprosos que também me buscavam, inspirando-te auxiliá-los a chegarem até mim, fugiste, apavorado, negando-lhes ajuda. Sem embargo desperdiçaste óleo e bálsamo, para limpar-te de quaisquer impurezas ... Aminadab!. .. "
Depois de algum silêncio, Jesus dispondo-se a seguir além, acentuou:
- "Se me amas, conforme supões, vem e segue-me. A dor espera por todos nós. Renuncia a tudo e só então, eu te darei um tesouro no Céu..."
O Amigo em luz desapareceu entre as trevas em redor, porém, Aminadab, contristado, voltou a Jerusalém, reuniu os companheiros, retomou às suas terras e à comodidade transitória sem comentar o estranho encontro com quer que fosse.
Pelo Espírito de Amélia Rodrigues – Pelos Caminhos de Jesus

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